Impostos elevam preços da gasolina em 78%
Das refinarias da Petrobras aos postos de combustíveis, o preço do litro da gasolina na Paraíba sofre um acréscimo de 78%, segundo dados da distribuidora Ello
Da Redação
Das refinarias da Petrobras aos postos de combustíveis, o preço do litro da gasolina na Paraíba sofre um acréscimo de 78%, segundo dados da distribuidora Ello. Planilha apresentada pelo diretor comercial da empresa, Luiz Carlos Almeida, mostra que o produto sai da refinaria pelo valor de R$ 1,3033 (o litro), chega aos postos por R$ 1,9333, em média, e é revendido ao consumidor por R$ 2,32, com base em preços praticados em João Pessoa.
De acordo com Luiz Carlos Almeida, o valor de R$ 1,9333 não é calculado aleatoriamente e inclui diversos itens, como custo do produto sem impostos (43,4%), tributos diversos (51,8%), gastos com armazenagem e estoque (1,4%), margem de distribuição (1,6%), frete para a Região Metropolitana da Grande João Pessoa (0,3%) e custo financeiro de 15 dias - que é o prazo dado para o pagamento do produto pela revenda (1,5%). Afora isso, algumas distribuidoras também acrescentam ao valor final do litro da gasolina gastos com taxas portuárias, perdas e diferencial de temperatura.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado da Paraíba (Sindipetro-PB), Evaristo Cavalcanti, afirmou que, para um posto conseguir se manter no mercado, hoje, precisa trabalhar com uma margem de lucro bruta de cerca de 20%, o que equivale a cerca de 3,5% líquida, sob pena de não conseguir arcar com todas as despesas e ir à falência. Ele explicou que boa parte dos estabelecimentos, na capital, tem comprado, ultimamente, o litro da gasolina a uma média de R$ 1,9333, que acrescido do percentual da margem de lucro bruta chegaria aos atuais R$ 2,32.
"Muita gente diz que esse valor é alto, mas sequer calcula que, desse preço de R$ 2,32, 51,8% são referentes a tributos diversos, como a Cide e o ICMS. Ou seja, ao comprar um litro de gasolina, o consumidor está pagando mais de R$ 1,20 de impostos", disse Evaristo Cavalcanti.
Esclarecimentos
O presidente do Sindipetro-PB também explicou que a população precisa ser esclarecida de que um posto de revenda de combustível é uma empresa como outra qualquer e também tem diversos compromissos financeiros.
"Os postos têm despesas operacionais, como salário de funcionários, tarifas de água, telefone e energia, taxas e impostos diversos, como IPTU, Fundo Especial de Segurança Pública, Taxa do Ibama, Taxa de Coleta de Resíduos, custos de proteção individual para frentistas, fardamento, contribuição sindical, gastos com vigilância privada e ainda despesas com operadoras de cartões de crédito. Ao final, da margem de lucro bruta de 20%, o empresário fica com uma margem líquida de 3,5% e isso apenas se o estabelecimento for bem administrado", afirmou.
Conforme Evaristo Cavalcanti, apenas as operadoras de cartões de crédito embolsam de 3,5% a 4% do lucro bruto dos postos de combustíveis.
"Na venda com cartão direto, a operadora fica com valores da ordem de R$ 0,09 por litro. Isso significa que o postos vende gasolina a R$ 2,32, mas seu lucro bruto é calculado, na verdade, sobre R$ 2,23", disse, acrescentando que uma alternativa para reduzir o preço dos combustíveis seria a diminuição da carga tributária.
"Na Bahia, o Governo do Estado decidiu baixar a alíquota do ICMS para a gasolina e o óleo diesel e essa medida já teve boa repercussão na revenda, que baixou o preço dos produtos nas bombas. Acredito que o Governo da Paraíba poderia adotar essa idéia, que beneficiou tanto os consumidores, quanto os revendedores, sem penalizar o Estado, que deve ter um aumento na arrecadação, em função do incremento nas vendas por conta do preço mais baixo", concluiu Evaristo Cavalcanti.