Livro analisa economia baiana
A publicação, apresentada ontem à imprensa, foi patrocinada pela empresa de auditoria e consultoria Deloitte Touche Tohmatsu
Cassandra Barteló
A economia baiana vem percorrendo, nas últimas décadas, uma significativa transformação. Inicialmente baseada na atividade agropecuária, começou seu processo de industrialização, com a implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari, na década de 70, até chegar a atualidade, que está sendo marcada por uma nova fase, com a chegada de indústrias de bens de consumo. A trajetória da economia do estado está no livro 25 anos de evolução econômica da Bahia, desenvolvido pelos professores e economistas Oswaldo Guerra e Paulo Gonzalez.
A publicação, apresentada ontem à imprensa, foi patrocinada pela empresa de auditoria e consultoria Deloitte Touche Tohmatsu, em comemoração de seus 25 anos de chegada no estado.
Ao longo das últimas décadas, a economia baiana tem mudado de forma radical.
Em 1960, a atividade era centrada basicamente na agropecuária, o que fazia com que o setor primário participasse com 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, enquanto o secundário com apenas 12%. O quadro já estava completamente modificado em 2000, quando a participação da atividade primária caiu para 10% e o segundo setor subiu para 41%. "O processo industrial começa no estado na década de 70 e se aprofunda na década de 80, com o Pólo Petroquímico de Camaçari", observa o economista Oswaldo Guerra, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Até os anos 90, no entanto, o processo de industrialização do estado ainda tinha uma dificuldade: estava baseado na produção de produtos intermediários. Paulo Gonzalez, que é professor da Faculdade de Tecnologia Empresarial (FTE) e economista da Superintendência de Estudos Econômicos (Sei), lembra que a Bahia já participava da economia nacional, mas apenas como uma fornecedora de matéria-prima, sem produção de bens de consumo. "Só a partir da segunda metade da década de 90, o estado dá sinais de uma nova transformação industrial", relata Gonzalez.
O perfil industrial da Bahia começa a se modificar a partir do momento em que o estado entra na "guerra fiscal", com o propósito de atrair novos investimentos.
Começam a chegar fábricas dos setores de calçados e informática e tem início também o desenvolvimento do segmento automobilístico, marcado pelo Complexo Ford. "Os empreendimentos representam novas possibilidades", assegura Guerra.
A partir de agora, as perspectivas da economia do estado, segundo os autores de 25 anos de evolução econômica da Bahia, dependem de todo um contexto, tanto nacional como estadual. "Em primeiro lugar, depende do que vai acontecer no plano nacional. As perspectivas são boas. O estado também tem de manter a política de atração de investimentos", diz Gonzalez. Apostando também em novos empreendimentos para um crescimento maior, Oswaldo Guerra cita a possível implantação da fábrica de motocicletas da Honda, que a Bahia está disputando com Goiás.
A evolução da economia do estado pode ser conferida de forma detalhada na publicação financiada pela Deloitte. "A idéia era marcar os 25 anos da chegada da empresa no estado de forma diferente", diz José Othon Tavares de Almeida, sócio do escritório de Salvador. Com uma edição de três mil exemplares, o livro será distribuído em empresas e instituições, como faculdades e bibliotecas públicas.