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Correio do Estado - MS
06/06/2006 - 06:15

Setor de pediatria enfrenta colapso

Médicos estão sendo forçados a atender até o dobro de pacientes do normal e faltam vagas para internação de crianças em hospitais públicos e privados

Karine Cortez

O setor de pediatria vive colapso em Campo Grande, deixando postos de saúde superlotados e hospitais sem vagas para internação de crianças. Além da falta de especialistas, há ainda o aumento no número de infecções respiratórias. Dos 252 pediatras cadastrados na Capital, 178 estão na ativa e, deste, 108 prestam serviço para a prefeitura do município, além de trabalhar em seus consultórios e hospitais da rede particular, o que tem dificultado o cumprimento de escala na rede pública. O secretário municipal de Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu que as doenças respiratórias têm aumentado a demanda de pacientes que passaram a se sobrepor a oferta de profissionais, principalmente nos finais de semana.

Ele explicou que do total de 120 mil atendimentos/mês realizados pelos postos, as doenças respiratórias são responsáveis por 35% dos procedimentos. No entanto, no mês passado esse percentual subiu para 65%, desencadeando todo um desajuste no sistema de saúde na ala da pediatria do município. O diretor do Hospital Regional Rosa Pedrossian (HR), disse ontem que há dois finais de semana não há vagas para internação no setor da pediatria.

Mandetta disse ainda que, na segunda-feira da semana passada, os três pediatras que estavam de plantão na Unidade de Saúde 24 Horas do Bairro Coronel Antonino atenderam 178 pacientes, média de 60 crianças por médico. "O limite é de 30 pacientes por médico, se passar disso o trabalho já fica comprometido, faltando qualidade e aumentando o tempo de espera da criança", informou o presidente do Sindicato dos Médicos, João Batista.

Indignado, o servidor público Márcio Vargas colheu assinaturas de pelo menos 72 pessoas que, assim como ele, aguardavam a chegada de um pediatra no último domingo ao Centro 24 Horas do Bairro Guanandy. "Cheguei com minha filha às três horas da tarde e o médico só foi chegar oito da noite. O plantonista do período da tarde não apareceu. A minha filha estava com 39 graus de febre e apenas os enfermeiros tentando baixar a febre. Diante desse descaso, cadê nossa autoridade?", indagou Márcio.

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